Introdução
Ao longo da minha trajetória no marketing digital, já participei de muitos projetos onde o desafio não era começar do zero, mas evoluir algo que já funcionava bem.
Esse é um dos cenários mais interessantes — e também mais desafiadores — do marketing.
Quando uma operação já está rodando há anos, com bons resultados e grandes especialistas já tendo passado por ela, muitas empresas começam a acreditar que não existe mais espaço para melhoria.
Foi exatamente esse o contexto de um projeto que conduzi anos atrás.
Por uma questão de confidencialidade e respeito às informações estratégicas da empresa, não revelarei o nome da companhia neste case. Sempre que compartilho aprendizados públicos, tenho o cuidado de preservar dados sensíveis de clientes, principalmente quando envolvem números de investimento ou performance.
Mas o aprendizado estratégico por trás desse projeto vale muito a pena ser compartilhado.
O contexto do projeto
Na época, eu liderava a área de estratégia e digital da agência Insane, uma estrutura formada após a fusão da minha antiga agência com outros sócios.
A agência tinha uma operação robusta:
- 7 sócios
- cerca de 60 colaboradores
- dezenas de clientes ativos
Entre esses clientes estava uma empresa líder nacional no seu segmento, cuja principal operação de aquisição acontecia através do Google Ads, especialmente em campanhas de Search.
O investimento mensal em mídia era alto:
aproximadamente R$500 mil por mês apenas em Google Ads.
As campanhas já estavam rodando há anos e haviam sido gerenciadas por profissionais experientes. O ROAS era considerado saudável e a percepção interna da empresa era clara:
“Essa conta já está otimizada. Não existe muito mais espaço para crescimento aqui.”
Ou seja, o pensamento natural da empresa era expandir para novos canais de mídia.
O diagnóstico estratégico inicial
Quando iniciamos o trabalho de marketing, branding e comunicação, a expectativa era justamente abrir novos canais de aquisição.
Mas antes de fazer isso, eu sugeri algo simples:
realizar uma auditoria completa nas campanhas atuais.
Essa decisão partiu de um princípio que sempre aplico nos projetos que lidero:
antes de buscar crescimento fora, vale a pena garantir que não existe crescimento escondido dentro.
Mesmo sendo uma conta madura, com alto investimento e histórico longo de otimizações, eu quis olhar profundamente:
- estrutura das campanhas
- segmentações
- termos de busca
- distribuição de orçamento
- oportunidades de eficiência
Naquele momento, eu mesmo assumi a gestão direta da conta para conduzir essa análise.
O resultado da auditoria
Após aproximadamente um mês de análise e ajustes estratégicos, identificamos algo interessante.
Não existia necessariamente uma oportunidade clara de escalar o investimento naquele momento.
Mas existia uma oportunidade importante de aumentar eficiência.
O resultado foi imediato.
O investimento mensal em mídia foi reduzido de:
R$500 mil → R$450 mil
Ou seja:
uma economia de aproximadamente R$50 mil por mês.
E o ponto mais importante:
sem redução no volume de vendas.
Na prática, isso significou um aumento direto no ROAS da operação.
O impacto estratégico dessa otimização
Muitas pessoas olham para marketing apenas sob a ótica de crescer investimento.
Mas muitas vezes o primeiro passo para escalar não é investir mais.
É investir melhor.
Ao gerar essa economia mensal de R$50 mil, a empresa ganhou algo extremamente valioso:
verba disponível para inovação.
Esse dinheiro que antes estava sendo gasto de forma ineficiente passou a ser utilizado para testar novos canais de crescimento.
E isso abriu uma nova fase no projeto.
A expansão para novos canais
Com essa verba liberada, começamos a expandir a estratégia de marketing da empresa.
Passamos a testar novos canais, incluindo:
- campanhas em redes sociais
- novos formatos de mídia digital
- iniciativas de branding
E fomos além.
A empresa passou a testar algo que nunca havia feito antes:
campanhas em TV aberta, em emissoras como SBT e Record, incluindo ações com personalidades conhecidas.
Até então, praticamente todo o investimento de marketing estava concentrado em performance no Google.
Com essa mudança estratégica, conseguimos evoluir a operação para um modelo mais equilibrado:
performance + construção de marca.
O principal aprendizado desse projeto
Esse case reforça um princípio que acredito profundamente no marketing:
clareza estratégica vem antes da expansão.
Muitas empresas buscam crescimento abrindo novos canais, novas ferramentas e novas campanhas.
Mas frequentemente existem oportunidades escondidas dentro da própria operação atual.
Antes de escalar, vale perguntar:
- estamos extraindo o máximo do que já fazemos?
- existe desperdício de investimento?
- existe espaço para melhorar eficiência?
Em muitos casos, a resposta é sim.
E quando isso acontece, o próprio sistema passa a financiar o crescimento.
Conclusão
Esse projeto começou com uma simples auditoria.
Mas essa auditoria gerou três impactos estratégicos importantes:
- aumento imediato de eficiência de mídia
- geração de orçamento para experimentação
- evolução da empresa de performance pura para uma estratégia que também incluía branding
E tudo isso começou com uma pergunta simples:
“Será que realmente já está tudo otimizado?”
Na maioria das vezes, a resposta ainda está escondida nos dados.
Sobre o Autor
0 Comentários